A
escola vem sofrendo várias mudanças ao longo do tempo, desde o seu aspecto
físico até o modo como o ensino-aprendizagem é construído. Exemplificando,
podemos constatar tal metamorfose através de um simples questionário feito com
pessoas de diferentes idades sobre a sua jornada escolar.
A pesquisa
foi feita com três pessoas, com idade de entre 30 e 65 anos. O resultado segue
abaixo (os nomes utilizados são fictícios):
· Antônio, 63 anos: Entrou na escola com sete anos, por volta de
1962 e cursou sete anos, da primeira à sétima série do ensino fundamental.
Segundo ele, a escola tinha duas professoras: uma no período da manhã (das 09h
às 12h) e a outra no período da tarde (das 13h às 16h). As duas turmas eram
mistas, compostas por alunos da primeira à quarta série (totalizando a média de
20 alunos). Sua professora lecionava para todas as séries, com conteúdos
diferentes simultaneamente. Novos alunos começavam frequentando a turma da
tarde e caso não conseguissem acompanhar a sala, eram transferidos para a turma
da manhã, a qual era formada por alunos com dificuldade de aprendizagem. As
professoras tinham outras atividades remuneradas no contraturno: a professora
da tarde, por exemplo, trabalhava na roça na parte da manhã. Em sala de aula, a
professora passava bastante conteúdo na lousa, fazia chamada oral com
frequência e tinha a liberdade de punir os alunos batendo em suas mãos com
“varinha de marmelo” em caso de mau comportamento. Já a escola em si ficava
localizada em bairro rural, tinha apenas uma sala de aula grande e não tinha
carteiras, apenas uma mesa grande e bancos para acomodar os alunos. Não havia
diretoria, secretaria, pátio ou biblioteca: era apenas a sala de aula. Nem ao
menos tinha um banheiro. Caso o aluno quisesse usar o banheiro, era orientado a
aguentar até a hora de ir embora ou ir até a igreja do bairro, a qual ficava há
alguns metros da escola.
· Helena, 50 anos: Entrou na escola com seis anos, por volta de 1973
e cursou cinco anos, da primeira à quinta série do ensino fundamental. Helena
conta que se lembra da “Cartilha Caminho Suave” e que a professora usava muito
com a sala. A escola tinha a direção (que era o lugar que recebia os alunos
indisciplinados), secretaria, biblioteca e um pátio. A sala de aula já contava
com carteiras, mesa do professor e quadro negro.
· Rodrigo, 32 anos: Entrou na escola com sete anos, por volta de
1992 e cursou um ano de pré-escola, o ensino fundamental de oito anos e o
ensino médio de três anos. Rodrigo disse que a professora fazia apostilas com o
conteúdo da aula, chamada oral, incentivava o grupo de estudo, trabalho em
dupla ou grupo. As avaliações eram copiadas da lousa pelo aluno em folha de
almaço. O mau comportamento era punido mandando o aluno para fora da sala ou
para a direção. Em se tratando do prédio, a escola contava com: salas de aula,
biblioteca, sala de vídeo, laboratório de ciências, quadra poliesportiva, banheiros
adaptados para deficientes, direção, secretaria, refeitório, cantina e pátio. A
sala era bem organizada, com os móveis bem distribuídos (carteira, mesa e
armário do professor e quadro negro).
Através
desta cronologia podemos perceber a mudança significativa que ocorreu com a
escola até meados dos anos noventa e se observarmos o modelo de escola atual, a
diferença é maior ainda.
Cada
vez mais as escolas da atualidade estão mudando seu comportamento no que diz
respeito a ensino-aprendizagem: o professor passa de detentor para mediador do
conhecimento, além de usar a tecnologia a seu favor numa educação cada vez mais
digital.
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